domingo, 14 de junho de 2009

“O estranho caso das passadeiras em Penamaior”

O título deste texto parece mais ter saído dum livro da Agatha Christie, protagonizado pelo inevitável Monsieur Poirot!
Se fosse esse o caso teríamos em Penamaior um dos mais famosos detectives do mundo da ficção a investigar este misterioso caso!
Monsieur Hercule Poirot teria então um grande enigma para resolver! O porquê de em Penamaior as passadeiras para peões não existirem ou então desaparecerem como o vento!
Podemos “fechar os olhos” e tentar imaginar como seria esse caso resolvido…

Terça-feira, 12 de Junho de 2009, treze horas e trinta e cinco minutos, Poirot chegou a Penamaior vindo do Porto na camioneta da Pacense! Apeou-se na paragem do Cô.
Fazia calor naquele dia. Poirot tirou o chapéu e limpou o suor que lhe escorria cara abaixo. O lenço com que o fez era de linho puro. Tinha-o comprado semanas antes em Istambul. Tinha lá estado a resolver mais um importante caso.
Olhou á sua volta, viu uma bica de água a correr num fontanário. Vinha mesmo a calhar, refrescar-se ali parecia uma óptima ideia.
Passou a estrada na respectiva passadeira em direcção á casa do Sr. Cardoso Leal.
Quanto tentou passar para o fontanário reparou que não existia passadeira de acesso! Estranho pensou ele! Lá passou arriscando a sua vida!
Molhou o lenço na bica da fonte, passou-o pelo pescoço refrescando-se e preparava-se para beber daquela água límpida e fresca quando reparou que aquela água era imprópria para consumo! Que raio, pensou ele!
No seu Português macarrónico, lá perguntou a um transeunte onde poderia beber água ali naquela redondeza? O local disse-lhe que era melhor era esquecer a água e optar pelo néctar dos Deuses! Se fosse esse o caso o melhor era ir ao Ribeiro e pedir uma “garrafinha de branco ou espadal”, que por aquelas bandas “é do melhor”!
Indignado prosseguiu a sua missão! Tinha vindo a Penamaior a pedido de um seu amigo que conheceu nas Africas e que lhe pediu encarecidamente que cá viesse tentar descortinar o caso das passadeiras! Assim fez.
Depois de ter perguntado onde morava o seu amigo, Monsieur Poirot pôs-se a caminho. Apesar do calor e apesar da sua dificuldade em locomoção, chegou a casa de Manuel Leão, morador na Tapadinha perto das três da tarde. Este não o esperava tão cedo, senão tinha-o ido esperar ao Cô.
Manuel Leão, homem dos sete ofícios era um inconformado. Tinha estado em África na Guerra Colonial, e depois tinha lá voltado para trabalhar numa construtora que tinha por ali uma empresa de exploração de minério! Conheceu Poirot numa investigação que este fez dum crime veramente estranho de uns nativos que com Manuel trabalhavam.
Como bom Português fez amizade com o Belga, e ficaram amigos para sempre. Esta amizade foi fortificada pelo facto de a resolução do tal crime ter sido em grande parte resolvido devido a uma dica de Manuel Leão. Poirot disse-lhe então ficar com uma dívida de gratidão para com este!
Pois bem, Manuel Leão perante o dito caso das passadeiras, não vacilou e ligou a Poirot! Este prontamente anuiu e veio ter com ele a Portugal!
Manuel Leão mandou a mulher preparar um chouriço e cortar um naco de presunto para o amigo Belga, enquanto tirava a rolha a uma garrafa de vinho da sua pequena propriedade.
- Beba desta pomada, amigo Poirot! É do melhor!
Poirot lá levou o copo á boca e bebeu um gole do espadal da quinta de Manuel Leão.
A primeira impressão que Poirot teve foi – que surrapa! Mas lá disse ao seu amigo que o vinho era do melhor! Manuel Leão ficou todo embevecido! O seu amigo Belga aprovava a sua colheita, apesar de todos os seus amigos lhe dizerem que o vinho que ele fazia na sua propriedade com sete tipos de uvas diferentes era uma merda! Manuel Leão não concordava e estas discussões tiveram uma vez para dar pancada no café do Moreira.
Manuel Leão era o verdadeiro inconformado! Era do PSD, como a maioria dos Penamaiorenses, mas andava zangado com o partido. Este tinha escolhido um candidato ás eleições da Junta que ele não gostava! Dizia que o partido se agachou e que já não era o mesmo. Já falava até em votar noutro partido.
Mas o que lhe fazia mesmo “espécie” era o facto de ter a neta no “jardim” debaixo da Junta e sempre que ia levar e buscar a netinha (a Sofia) á escolinha, a passadeira de acesso ao edifício, em tempos ali marcada, não existir!
Todos os dias Manuel Leão se inconformava com este assunto!
Já tinha ido a uma Assembleia da Junta e falado no assunto. Já tinha pedido ao Presidente da Junta pessoalmente, para ali fazer o raio da passadeira! Já tinha escrito uma carta ao Presidente da Câmara! Tinha inclusive encontrado o Vereador Eugénio e feito o mesmo pedido! Nada!
Os carros passavam ali no sentido descendente a grande velocidade e Manuel Leão sabia que mais cedo ou mais tarde se iria dar ali um acidente! Se ali morresse uma criança, de quem seria a culpa? Manuel Leão pensou que de certeza a culpa iria morrer solteira, como de costume no País onde a Justiça está como está! Uma coisa era certa. Se alguma coisa acontecesse á sua netinha, Manuel Leão já tinha feito a promessa de fazer uso da sua caçadeira!
Preocupava também Manuel Leão o facto de em Penamaior existirem mesmo muito poucas passadeiras! De facto Manuel leão contou-as e chegou á conclusão que só a passadeira do Cô onde param as camionetas está ainda visível! Havia outra em frente á casa do Dr. Leal mas uma recente revisão com alcatrão á moda dos anos 60, tapou a mesma. Havia outra junto ao cruzamento do Padrão mas foi tapada pela mesma revisão do pavimento!
Este era para Manuel Leão o grande enigma das passadeiras em Penamaior! Por mais que puxasse pela cabeça, não havia meio de arranjar uma justificação.
Depois de ter exposto todos estes factos a Poirot, este ficou pensativo!
- Deveras estranho mon ami Manuel, disse Poirot!
- Pois é Monsieur Poirot! Disse Manuel Leão, enquanto comia mais uma fatia do saboroso chouriço caseiro.
- Será que o Monsieur President da Cámará (com o seu acento Francófono) terá alguma coisa contra vocês?
- Não! Disse efusivamente Manuel Leão! Ele inclusive ganhou as ultimas eleições em Penamaior com grande maioria. Só se…
- Só se..? Disse Poirot.
- Só se a Câmara queira castigar os Penamaiorenses por ter votado no PS nas últimas eleições!
- Hummm…murmurou Poirot! Não creio!
- Acho, disse Poirot, que anda alguém a roubar as listas das passadeiras em Penamaior!
- Como? Perguntou Manuel Leão.
- Quando vinha na camioneta desde o Porto, reparei que as localidades por onde passei tinham todas passadeiras bem marcadas na estrada. Aliás nas terras que antecedem a vossa terra, as passadeiras existem! O que acho é que as existentes em Penamaior foram roubadas e levadas para a Seroa, Frazão e demais terras!
- Manuel Leão estava estupefacto! Como não tinha pensado nisso antes! Era demasiado óbvio! O preço da tinta aliado ao poderio de outras freguesias em detrimento de Penamaior, levou a que estas fossem deslocadas para esses locais!
- Bandidos, praguejou Manuel!
Manuel Leão estava possesso! A mulher, Carminda só dizia.
- Ó homem, tu acalma-te! Ainda te dá uma coisa! Sabes que o Dr. Serafim ainda te disse a semana passada para tu beberes menos por causa do coração!
Manuel respondeu – Ó mulher cala-te que isto é assuntos de homens!
Monsieur Poirot no seu elegante fato, tinha agora as faces um pouco rosadas. O tal vinho que não prestava estava agora melhor. Talvez fosse da segunda garrafa, ou então de estar “fresquinho”, como dizia Manuel Leão. O chouriço e o presunto aliado á broa de milho cozida por Carminda no seu forno, mostraram-se uma pequena raridade degustativa no cardápio internacional do Inspector.
- Magnifique, mon cher Manuel! Disse Poirot acerca do pequeno lanche preparado pelo casal.
- Maintenan, tenho que ir de volta para o Porto, onde me espera um outro amigo para uma outra investigação.
Manuel Leão lá levou o seu amigo de volta ao Cô, onde por volta das 18h00 passava uma camioneta para o Porto.
Monsieur Poirot subiu os degraus da camioneta, ajudado pela sua bengala. Despediu-se de Manuel Leão já dentro da camioneta tirando o chapéu e acenando.
Manuel Leão viu a camioneta seguir em direcção ao Ribeiro e desaparecer na estrada.
A visita do seu amigo, apesar de fugaz, foi de facto muito eficiente! Ajudou a resolver o estranho caso do desaparecimento das passadeiras em Penamaior.
De volta a casa Manuel Leão ia a matutar no que fazer. Ia no dia a seguir convocar alguns amigos e organizarem-se para pintar com tinta própria algumas passadeiras na freguesia. Bem sabia Manuel que a tinta que tinha era uma lata que sobrou de ter pintado a casa no ano anterior e que esta tinta iria desaparecer rapidamente, mas que seria um sinal para quem roubou as listas das passadeiras em Penamaior!
- Podem-nos roubar as passadeiras, mas nós cá em Penamaior somos gente de garra e vamos pintá-las de novo! E se nas roubarem outra vez, nós iremos pintá-las outra vez! Até que eles se cansem de as roubar, pensava Manuel com os seus botões!
Por seu turno, Monsieur Poirot ia ainda pensativo no estranho caso! Será que tinha feito bem em dar Manuel Leão aquela justificação? Pela primeira vez na vida não tinha certeza de ter resolvido bem um caso. Este "estranho caso das passadeiras em Penamaior".
Já a descer a Serra D’Agrela Poirot reparou nas mulheres que estavam na berma!
- Estranho, pensou ele! Prostitutas de rua em Portugal? Será que é permitido?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sentido Positivo vs Obras da Capela do Pilar

Um Penamaiorense anónimo mandou compor o telhado da Capela do Pilar ás suas próprias expensas. Desembolsou do seu próprio bolso 4.900,00€! Ainda dizem que não há pessoas altruístas! Há e ainda por cima em Penamaior! Bem haja!
Este fim de semana vai ser anunciado o início do arranjo exterior da mesma Capela do Pilar.
Este orçado em cerca de 11.500,00€, vai ser suportado financeiramente pelas comissões de Festas da Nª Senhora do Pilar dos lugares do Cô 2008, Santa Marinha/Escariz 2007, Modelos 2006 e pela Fábrica da Igreja.
Os valores da contribuição de cada uma destas “entidades” pouco interesse tem. O que interessa é obviamente a intenção!
O que aqui é importante e de salientar, é o facto de pela primeira vez na nossa freguesia diferentes “organismos" associativos e pessoas, estarem de acordo e “darem as mãos” num único propósito e objectivo. Mais, este dinheiro são sobras das festas de cada ano respectivo a cada lugar, obtido na freguesia através de peditório em honra da Santa. Vai ser aplicado agora precisamente na obra da Capela da mesma, contribuindo assim para o embelezamento do nosso (também da Força Aérea) Monte do Pilar.
Se as comissões futuras continuarem esta prática, os peditórios futuros vão ter na minha opinião outro sentido. As pessoas sabem que vão sempre contribuir para o bem comum, neste caso de cariz religioso.
É disto que Penamaior precisa! União! Se nos unirmos verão que as coisas acontecem mais rapidamente e melhor! Tentem, não dói!

O Ermita Mor.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Valha-me Deus!

Esta crónica chama-se “valha-me Deus”! E porquê? Porque é a expressão que o nosso povo usa quando alguém faz alguma coisa mal feita, ou então quando precisa de ajuda. Neste último caso a súplica está subjacente, assim como a prece! Mas o que eu mais gosto é do uso desta expressão enquanto crítica. Quantas vezes ouvimos: “valha-me Deus meu filho! No que tu te foste meter!” e por aí adiante…
Isto a propósito do asfaltamento em Penamaior com alcatrão de uma rua a fazer lembrar os tempos da outra senhora!
Já aqui neste blogue eu tinha feito reparo que um dia destes e para tapar as “crateras” e buracos das nossas estradas, alguém se iria lembrar de “tapar olhos” e deitar o tal “bufinho” de que alguém escreveu neste espaço.
Agora que o calor chegou, é ver o alcatrão a derreter e ver os “varredores de areia” a puxar (a varrer) areia das bermas para o centro da estrada! Onde é que já se viu isto? Para além do custo de manter 3 funcionários com um trabalho inglório de “varrer” constantemente uma estrada, as casas junto á mesma estão agora todas cheias de pó! Será que o António Carvalho (candidato PSD à Junta e com casa na mesma Rua gosta do pó que tem agora em casa?) Isto noutro concelho já tinha dado algumas queixas! Mas o povo aqui é sereno.
Estou para ver quando acontece um acidente! Se um carro ou moto tem que travar, vai ser bonito segurar o veículo em cima de areia! Quero ver quem se vai responsabilizar...
Quero aqui deixar o meu singelo (mas efectivo) contributo para os responsáveis deste sector: Existe um sistema de alcatroar estradas – mais acessível do que o betuminoso – chamado MICROAGLOMERADO e que foi usado por exemplo na estrada de Monte Córdova – Curtinhas – Pilar. Como alguns sabem e podem ver, quando está muito calor, não acontece o que aconteceu na estrada do Padrão! E até dá um ar de estrada nova!
Agora e por último, a cereja em cima do bolo: deita-se o alcatrão tapam-se as passadeiras (que na verdade já não se viam), e siga a marinha! Está tudo bem! Para o povo de Penamaior qualquer coisa serve! E calou! Agradeçam ao glorioso lá no céu pois podíamos todos ter estradas em terra… Valha-me Deus!

O Ermita Mor